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A Ordem das Coisas

um argumento de
Beatriz Catarino & Joana Caiano
ilustrado por
Rosário Pinheiro

Entre disciplina e silêncio, seis mulheres treinam a arte de desaparecer.

1. EXT. JARDIM. DIA
Suor. Que pinga, escorre. Seis mulheres fazem movimentos ritmados, esticam o corpo, dobram-se e alongam-se. Cada gesto imita uma ação de limpeza: esfregar, varrer, torcer, levantar peso. CLARICE (56), de fato branco engomado, caminha entre elas com ar de bailarina reformada e militar em repouso.

 

CLARICE
Em silêncio, moças! Quando a
senhora estiver em casa nem a
respiração é para ouvir. Ser
invisível não é escolha — é regra.
Aprendam a existir sem deixar
rasto.

 

A sua voz é macia, mas firme. Clarice pára atrás de JOANA (22). Passa-lhe as mãos pelas omoplatas como quem endireita um quadro torto.

 

CLARICE (CONT’D)
Postura, Joana. Nada se limpa
corretamente com um corpo
abandonado. Tudo começa aqui.
(toca-lhe no peito)
Para depois chegar aqui.
(toca-lhe na mão)

 

Clarice distribui agora baldes de água pelas mulheres. Grunhidos das mulheres que em esforço carregam ao sol os baldes por cima da cabeça.

 

CLARICE (CONT’D)
Mais rápido! Mais rápido.

 

CORTA PARA:

As mulheres carregam cadeiras em fila. Clarice observa.

 

CLARICE (CONT’D)
A casa é uma loba. Engole-vos.
É inevitável, mas há formas de
domar o bicho e começa convosco.
Aprendam a suspender a queda de
cabelo durante as horas de trabalho-

 

As mulheres carregam chapéus de sol em fila. Joana interrompe a marcha por uns momentos, recompõe-se e continua a carregar o chapéu. Clarice dá-lhe água.

 

CLARICE (CONT’D)
(para a Joana)
Joana..?

 

Joana sorri, acena e continua.

 

CLARICE (CONT’D)
(para todas)
Aprendam a coreografar as
deslocações pela casa e os gestos
sobre os móveis, evitam-se assim
passadas desnecessárias, ou o
gasto das fardas.

 

Joana interrompe a marcha por uns momentos, recompõe-se e continua a carregar o chapéu.

 

CLARICE (CONT’D)
Poupam-se as solas e o solo.
Estão na casa para cuidar, não
para desgastar. Não cansem o chão
com o vosso andar, nem os espelhos
com os vossos reflexos.

 

As mulheres carregam espelhos em fila.

 

CLARICE (CONT’D)
…nem as ombreiras das portas com
o vosso repouso. Há horas para
isso. E lugar. Não se encostem às
paredes, aprendam a criar pontos de
apoio com o vosso próprio corpo,
assim como a usá-los apenas em
momentos de grande necessidade.

 

As mulheres carregam um grande colchão entre todas. Clarice observa.

 

CLARICE (CONT’D)
É inadmissível que gritem, falem ou
chorem durante o sono. Para isso,
recomendam-se os sonhos neutros.
Aprendam a distinguir as passadas
de cada senhor ou senhora da casa,
para que lhes possam antecipar as
necessidades. Poderão fazê-lo por
níveis: primeiro com os ouvidos
encostados ao chão, até que
consigam fazê-lo no duche com
água a correr.

 

CORTA PARA:

Movimentam os dedos indicadores em círculo.

 

CLARICE (CONT’D)
Fortalecer as falanges da mão
e trabalhar-lhes a flexibilidade
é indispensável! Há por aí
muitos cantos onde só a
ponta dos dedos chega.

 

Clarice aproxima-se da mão de FREYA (42) e olha para ela com concentração.

 

CLARICE (CONT’D)
Que círculo é este, Freya?

 

Freya começa a fazer um círculo maior com o dedo indicador. No plano de fundo vemos Joana de olhar vidrado no vazio.

 

2. INT. QUARTO. DIA
Corpos nus, seios vencidos pelo tempo, pele seca de sol e cansaço. As mulheres lavam-se umas às outras com esponjas, escovas de dentes, panos húmidos e sabão. Lavam e deixam-se lavar. Umas limpam com maior gentileza, outras com maior vigor. Escavam e acariciam atrás das orelhas, os lóbulos penduradinhos, o lábio de baixo por dentro, as quase membranas entre os dedos. Por dentro das unhas, por entre os dentes, lavam cabelos, dedos dos pés, dobras do joelho e do cotovelo, lavam axilas e virilhas. É um cuidado coreografado, rigoroso. CÉLIA (50) lava os olhos de VERA (47) com a ponta de um pano. Vera sorri. Clarice observa.

 

VERA
(estática, para não
atrapalhar a limpeza)
Tenho cócegas aí, Célia, cuidado-

 

Célia sorri muito discretamente, mantendo o foco para terminar a tarefa de forma mais célere.

 

CÉLIA
(enquanto limpa,
cuidadosamente)
Já está.

 

Pousa o pano muito bem dobrado ao pé de outros igualmente bem dobrados perto de si, que adivinhamos terem servido para limpar outras partes do corpo. Ao fundo, um pequeno cartaz plastificado diz: “Limpo é o corpo que carrega o lixo”. EULÁLIA (73) esfrega vigorosamente o espaço entre os dedos dos pés de Joana que de perna esticada na sua direção faz um esforço por não contorcer o corpo com o riso. Eulália agarra-lhe o pé com maior firmeza. MATILDE (34) levanta as sobrancelhas para que se vejam os relevos das rugas na testa. Freya inclina o rosto sobre o dela e limpa-lhe as linhas da expressão.

 

CLARICE
(bate uma palma)
É isso, meninas! Muito bem, já
sabem, não esquecer as rugas. Há
muito pó que fica preso às rugas!
(ri-se, animada)

 

Célia raspa os calos das mãos de Eulália.

 

EULÁLIA
…e o homem diz-me que
tem 15 filhos!

 

Célia responde apenas com um rosto surpreso, sem interromper a tarefa que tem em mãos.

 

EULÁLIA (CONT’D)
…15 vejam bem! E eu perguntei-lhe
‘Então e consegue falar com todos?’
não é? É que eu já com os meus
três às vezes até lhes troco
os nomes, 15… credo.

 

Célia continua.

 

EULÁLIA (CONT’D)
E sabes o que é que me respondeu,
oh Célia? Que não falava com
nenhum, para não ser injusto. Achei
bom, muito pragmático o homem.
Mesmo a dar ordens lá em casa,
muito pragmático.

 

Vera passa um pano húmido por baixo do peito de Freya.

 

CLARICE
O objetivo aqui não é que cheirem
bem, meninas, mas que não cheirem
de todo. Até o bom cheiro poderá
servir para lembrar moradores e
moradia da vossa presença. E a
vossa presença não permite esquecer
sujidade e desordem. Deverão
eliminar da casa qualquer indício
de que alguma vez esteve suja. É um
erro de principiante achar que este
é um objetivo que se alcança com
perfumes e sprays.

 

Secam-se todas com uma toalha. Ao fundo vemos as fardas secar: luvas de borracha penduradas, panos para a cabeça, aventais, meias. Duas mulheres agarram a toalha de cada lado, enquanto uma a uma as outras se vão esfregando. Vestem os uniformes.

 

JOANA
(baixinho)
Célia, tens a etiqueta de fora,
deixa-me ajudar-te.

 

Joana aproxima-se de Célia para lhe recolher a etiqueta que se via sair da gola, perto da nuca. Célia sorri-lhe. Quando Joana se vira de costas vemos-lhe uma bola de cotão presa a uma das pernas. Célia sacode-a e agarra-a sem que Joana repare. Freya ajuda Eulália a fechar os botões do uniforme. Posiciona a cabeça de lado para fechá-los com precisão.

EULÁLIA
Último dia ein, miúda!
És mais rija do que parecias.

 

FREYA
(com sotaque nórdico. sorri)
Sim, gosto de limpar.

 

Eulália ri-se com Freya e acabam de se vestir. No plano de fundo, Matilde e Vera divertem-se a fazer passou-bens com duas luvas de borracha que encheram com ar.

 

3. INT. CORREDOR. DIA
Numa casa onde os vidros das janelas estão partidos, os tapetes puídos, as cortinas gastas, os móveis amontoados e divisões inteiras parecem ter sido deixadas ao abandono as seis mulheres estão sentadas de costas muito direitas no banco de madeira do corredor, todas apertadas à espera de indicações da Clarice.

 

CLARICE
Hoje treinamos o arrumo vertical.
Um arrumo muito usado na
organização de eventos, de forma a
maximizar a altura de uma divisão
para que os convidados possam
disfrutar da horizontalidade do
espaço.

 

Eulália ilustra o gesto de um pénis a ficar duro a Freya que baixa a cara envergonhada, mas também a conter o riso. Matilde repara pelo canto do olho e faz um gesto de aprovação a Eulália.

 

CLARICE (CONT’D)
Quero este quarto imaculado e tudo
o que estiver a mais no lixo.
Lembrem-se:

 

Clarice incentiva-as a completarem a frase. Todas dizem em coro.

 

TODAS
Sem função, sem lugar!

 

Eulália faz um gesto como se arrancasse e deitasse fora o pénis que fingia ter no colo, rematando a piada. Clarice não dá por nada.

 

CLARICE
Isso mesmo! Não poderão usar
esfregonas, vassouras, pás,
espanadores ou qualquer tipo de
equipamento. Quero ver como se
desenrascam sozinhas. Nem sempre
terão equipamento à vossa
disposição. A avaliação final será
hoje ao fim do dia, têm meia hora
para terminar este exercício.

 

As mulheres seguem para a sala atulhada de móveis partidos e velhos, caixas e objetos. Cada uma direciona a sua atenção para uma parte do desarrumo. Célia limpa os fragmentos de uma janela partida um a um com o pano do avental. Eulália dobra e empilha numa torre: fronhas, almofadas, edredons, livros, malas. Vemos as cabeças, braços, mãos das seis surgir por entre a mobília. Vera e Joana arrastam móveis; Freya organiza meticulosamente pequenos objetos por cor, tamanho e forma em prateleiras e gavetas. Matilde está de pé em cima de caixas a limpar o teto com uma das mãos envolta na manga. Tenta apanhar o pó que cai com o regaço do vestido. Clarice mantém-se sentada numa mesa que posicionou do lado de fora da porta do quarto. Enquanto toma notas vai pondo o conhecimento delas à prova.

 

CLARICE (CONT’D)
Ora bem, meninas! Trabalham
numa casa onde todas as manhãs
são recebidas por uma garrafa
de licor vazia. O que é importante
deduzir daqui?

 

Matilde põe a mão no ar, largando um dos lados do vestido e deixando cair um nuvem de pó. Clarice faz um olhar reprovador e anota qualquer coisa no seu caderno. Matilde nervosa responde confiante de que irá compensar o erro.

 

MATILDE
Há um problema de bebida. Devemos
guardar as garrafas num sítio menos
acessível, para ajudar.

 

CLARICE
Não devemos fazer nada que não
nos seja pedido, por isso, não,
Matilde, não deverá tomar essa
iniciativa.

 

Discretamente, Célia põe a mão no ar, sem por isso interromper a sua tarefa ou levantar o olhar daquilo que a ocupa.

 

CLARICE (CONT’D)
Diga, Célia.

 

CÉLIA
Se todas as manhãs há uma garrafa
vazia, todas as manhãs terei uma
garrafa para deitar fora.
E nada mais.

 

Eulália acena em concordância. Matilde tenta recolher novamente o pó que deixou cair.

 

CLARICE
Muito bem. Matilde, ouviu?
Treinar o olhar para que memorize
sem significar. Numa casa onde
trabalhem, nenhum objeto ou
comportamento significa nada.

 

TODAS
Sim, Dona Clarice.

 

Ainda vemos Matilde confusa sobre onde pôr o pó que se lhe agarra à palma da mão. Resolve a situação levando o pó à boca, lambendo e engolindo.

 

CORTA PARA:

 

4. INT. QUARTO DAS EMPREGADAS. DIA
As mulheres estão sentadas a comer. Joana, Célia, Vera e Eulália nas camas, Freya sentada ao tocador, e Matilde no parapeito da janela. Cada cama virada numa direção diferente, todas muito coladas. Para atravessarem o quarto precisariam de andar por cima dos colchões e das almofadas, quase não se vê o chão. As camas estão feitas com rigor e as almofadas perfeitamente rechonchudas. Comem sandes de triângulo, cada uma a seu jeito: umas começam pelos cantos, outras pelas côdeas, outras diretas ao recheio. Freya abre a sandes e come o que está lá dentro, ingrediente a ingrediente. Clarice não está no quarto.

 

MATILDE
Acham que foi muito mau ter errado
na pergunta da Clarice há bocado?

 

EULÁLIA
Oh menina, bom não foi. Bom teria
sido acertar ou ficar calada. Mas
pronto (dá uma trinca na sandes e
continua de boca cheia) não há de
ser nada.

 

VERA
O que é que vocês vão fazer se
passarem no curso?

 

JOANA
Hmm, eu queria mesmo trabalhar
na casa da-

 

Célia espirra.

 

JOANA (CONT’D)
-ouvi dizer que ela tem uma estátua-

 

MATILDE
Dela própria, não é!?
Eu também já ouvi isso.
(fala para Freya)
Freya, passas-me os frutos secos? –

 

JOANA
Ya, amava poder limpar uma coisa
dessas. Casas com estátuas no geral.

 

Matilde passa o saco de frutos secos a Freya, mas como esta estava sentada do lado do seu olho cego calculou mal o momento da recepção. O pacote cai ao chão e os frutos secos espalham-se. Freya inclina-se para recolher os frutos, mas entorna o jarro com leite que acompanhava a refeição no processo. O chão fica marcado por uma mancha branca pontuada de nozes e amendoins. As mulheres reagem com surpresa e desagrado. Célia, a mais discreta na sua reação, calmamente levanta-se para começar a limpar.

 

FREYA
Não, Célia, eu limpo!

 

CÉLIA
Eu ajudo, não te preocupes.
Eulália, consegue ir à cozinha
buscar o meu kit?

 

Eulália levanta-se a resmungar, mas sem hesitar. Célia estende uma tigela para as mãos de Freya.

 

CÉLIA (CONT’D)
Vai recolhendo os frutos para aqui.

 

Pisca-lhe o olho. Freya, muito nervosa, começa a limpar, com a cabeça inclinada para ver melhor. Célia vai enxaguando o leite do chão com um pano. Matilde afasta a cadeira para lhes dar espaço.

 

FREYA
Se Clarice aparecer, estou fora,
estou fora!

 

JOANA
Ela não tem como saber que foste
tu, Freya. Tem calma.

 

Continua a despejar frutos um a um na tigela. Vamos ouvindo o som que fazem ao embater na loiça.

 

FREYA
Não posso ir fora!

 

O som do tinir na tigela vai-se tornando mais insistente. Célia não diz nada, além de levantar o olhar na direção dela. Começam a sentir-se sinais de descontrolo.

 

VERA
É como a Joana disse, Freya,
ninguém tem de saber que foste tu.

 

FREYA
(com sotaque nórdico)
JOANA NÃO MANDA! A CLARICE
SABE TUDO! Estou fora.
(em pânico)

 

CÉLIA
A Eulália?

 

Freya começa a tentar reunir o leite que ainda sobra com as mãos para o verter sobre a taça. Vera aproxima-se de Freya por trás, gentil para a tentar acalmar tocando-lhe nos braços.

 

MATILDE
A Eulália deve estar mesmo com
panos e nós ajudamos-te, não é
preciso estares assim, Freya. Vais
ver que vai ficar como se não
tivesse acontecido nada-

 

De repente, o corpo de Joana enrijece e começa a tremer em convulsões fortes. Os olhares, incluindo o de Freya, voltam-se para ela.

 

CÉLIA
Joana?

 

As convulsões continuam. Freya pára de limpar. Célia pára de limpar. Vera pára de comer. Joana começa a colapsar em direção ao chão. Cai sobre a poça, os cabelos misturam-se com os frutos secos e o leite.
O corpo treme-lhe violentamente e da boca começa a sair-lhe espuma. Embate com uma das pernas contra a mesa desordenando os ingredientes que Freya tinha cuidadosamente ordenado por cima de um guardanapo. Freya sobressalta-se. As mulheres estão todas paralisadas a olhar para a Joana, sem conseguirem compreender o que se passa. O corpo de Joana treme violentamente, rígido. Ela bate com a cabeça numa das pernas da cadeira que Freya tinha mudado de lugar há pouco. As convulsões páram. A boca com espuma a escorrer-lhe pelo rosto, os cabelos desgrenhados empapados em leite e com migalhas de frutos secos.
Entra Eulália de esfregona, balde, panos, vinagre e bicarbonato de sódio na mão. As mulheres levantam o olhar na direção dela, ainda em choque. Eulália observa o cenário. Célia levanta-se, vai buscar um pano ao kit que a Eulália trouxe, ajoelha-se ao lado de Joana e tapa-lhe a boca. Em silêncio, Célia aplica força e vai enfiando o pano dentro da boca de Joana. Freya rapidamente levanta-se, vai buscar o balde e esfregona e começa a limpar. Uma a uma agarram no equipamento que Eulália trouxe e começam a limpar o que está em redor do corpo deitado da Joana – que vai deixando de reagir. As mulheres põem o quarto em ordem.

 

FIM

BEATRIZ CATARINO

Beatriz Catarino (Lisboa, 2001) cresceu no Estoril e estudou Realização Plástica do Espetáculo na Escola Artística António Arroio. Licenciada em Estudos Artísticos – Artes do Espetáculo (FLUL), participou na criação do Laboratório de Escrita para Teatro e em vários workshops de crítica e performance. É cofundadora do Teatro Quadrado (2021), festival amador com seis edições. Publicou crítica e entrevista em revistas como Critical Stages (2023) e Sinais de Cena (2024). Atualmente conclui o Mestrado em Estudos Ingleses na Universidade Livre de Berlim e o Curso Livre de Literatura de Mulheres (FCSH). Colabora regularmente como cenógrafa em projetos musicais (Xico Gaiato, A Sul e Paus) e como revisora com a editora Bestiário.

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JOANA CAIANO

Joana Caiano (Lisboa, 2000) é uma realizadora e argumentista portuguesa a trabalhar entre Lisboa e Londres. Licenciada em Cinema pela Arts University Bournemouth (Reino Unido, 2022), tem vindo a desenvolver um percurso sólido tanto na ficção como no documentário, com especial interesse por narrativas de cariz social, psicológico e político. Estreia-se nas longa-metragens com o documentário A Cabeça não é um Sítio Seguro (2025), produzido pela Sopro Filmes com apoio do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) e da RTP, filmado no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa. A sua primeira curta-metragem, 42, foi distinguida em vários festivais internacionais, incluindo o Quito International Film Festival, Four River Film Festival e Porto Femme. A mais recente curta-metrage, Lives at Steak, escrita pela multipremiada Julia Grogan (Edinburgh Fringe Winner 2023, ETPEP Award 2020), inicia brevemente o seu circuito de festivais. Atualmente, Joana prepara duas longas-metragens de ficção: Icebreakers, a ser filmada na Islândia, e O Cheiro da Tangerina, já com apoio da Sociedade Portuguesa de Autores. Beatriz Catarino (Lisboa, 2001) cresceu no Estoril e estudou Realização Plástica do Espetáculo na Escola Artística António Arroio. Licenciada em Estudos Artísticos – Artes do Espetáculo (FLUL), participou na criação do Laboratório de Escrita para Teatro e em vários workshops de crítica e performance. É cofundadora do Teatro Quadrado (2021), festival amador com seis edições. Publicou crítica e entrevista em revistas como Critical Stages (2023) e Sinais de Cena (2024). Atualmente conclui o Mestrado em Estudos Ingleses na Universidade Livre de Berlim e o Curso Livre de Literatura de Mulheres (FCSH). Colabora regularmente em dramaturgia, nomeadamente em Gut Issues (Berlim, 2024) e no projeto Pietá (Lisboa, 2025). Desde 2025 desenvolve também trabalhos em escrita e revisão de argumento para cinema.

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